O cara responsável pelos jingles que não saem da cabeça da gente

“Gostoso, cremoso, quando acaba a gente quer de novo”. Certamente você leu esse começo de texto e cantarolou junto o jingle do iogurte grego da Vigor, certo? Você acredita que a campanha começou a ser veiculada há três anos? Essa é apenas uma pequena demonstração do potencial da música para engajar pessoas e, consequente, gerar lembrança de marca. Mestre nessa arte, o sócio fundador e diretor musical da Comando S, Serginho Rezende, bateu um papo com a gente sobre o poderoso casamento entre o som e a propaganda. Confira:

O que você pode dizer sobre a conexão entre músicas e marcas?

As marcas se apropriam muito da memória das pessoas através da música. Essa memória já está estabelecida na sua cabeça quando você ouve um clássico, geralmente uma canção bastante conhecida. Então temos dois caminhos. O primeiro é a coisa do recall, que faz com que o público associe essas músicas às marcas, com alto poder de retenção sobre essas pessoas. Por outro lado, muitas vezes, as marcas também buscam se associar a imagem dos artistas, sobretudo os que têm a ver com seus propósitos e discursos.

Este cenário multiplataforma e hiperconetcado, cada vez mais desafiador para as marcas, reforça a música como instrumento para engajar?

Sim, principalmente porque através da música as marcas têm a oportunidade de pegar carona em coisas que já estão no inconsciente das pessoas. Além disso, quando vamos para internet, por exemplo, abrimos o leque de possibilidades, e isso facilita a produção e o processo de seduzir o público alvo. Quando estamos presos na televisão e no rádio, temos apenas as mídias caras e geralmente o tempo de trinta segundos. O desafio é o seguinte: em meio a tanta coisa, você vê claramente a função da arte como um grande elemento para reter o público… E para segurar alguém hoje em dia é preciso ter um conteúdo interessante, com boa música e bons artistas.

Como esse novo mundo digital, que inclusive resgata personagens musicais que não estão mais no mainstream da música, contribui para dar mais opções dentro deste casamento entre as canções e as marcas?

É bom para todo mundo. De um lado você tem a marca fazendo um baita investimento de mídia, colocando de volta a música daquele artista para tocar, e isso também acaba gerando shows e aparições públicas. Isso aconteceu recentemente com a banda É o Tchan, por exemplo, que agora voltou a gravar discos e fazer shows por aí. Quer mais um caso? Acabamos de gravar um comercial da Brahma ao som de “O amor e o poder”, da cantora Rosana. E depois gravamos “Aguenta Coração”, do Zé Augusto. Os artistas ficam contentes com o trabalho, ganham com isso, e também se posicionam de uma forma positiva.

 

Como estão as coisas na Comando S?

Estamos agora completando 13 anos. Como eu costumo dizer para o pessoal, já somos a “mais nova” produtora madura do mercado. E daí olhando para o nosso histórico, o nosso passado, a gente percebeu que há uma demanda muito grande dos clientes em nos procurar para produzir e criar músicas e também gravar com os mais diversos e estourados artistas. Isso significa que ao longo dos anos acabamos ganhando muita expertise em fazer essa intermediação entre marcas, artistas e agências. Somos bons em fazer esse meio de campo. Já fazíamos isso de uma forma ou de outra, mas agora resolvemos oficializar um novo produto aqui na Comando S: a assessoria musical. A ideia é facilitar o acesso e a negociação com o artista, incluindo gravadora, editora, agência e cliente.

Quais são os desafios para as produtoras neste momento no Brasil, com o país instável economicamente?

Acho que temos aí, em primeiro lugar, o desafio da eficiência. É uma consequência não apenas do momento do Brasil, mas também uma demanda do mundo capitalista. Todo mundo precisa entregar mais, melhor, no melhor prazo e com o menor custo. E eu não vejo isso apenas na propaganda, eu vejo em todo lugar. O sarrafo é muito alto. Estamos engajados com isso e acho que o meu lado engenheiro tem me ajudado nesse aspecto. O engenheiro é um cara treinado para resolver o problema e melhorar a engrenagem para funcionar melhor. É um ciclo que tem dado certo. Temos comemorado muita coisa boa nos últimos anos. Estamos meio na contramão do momento do país, superando as nossas metas e conquistando novos clientes.

O que você destacaria como um grande diferencial competitivo da Comando S?

Música. Já me perguntaram isso e a resposta é sempre a mesma. Nós somos muito dedicados à música. E isso não é nem uma coisa de dentro pra fora. É de fora para dentro. Recebemos muitas demandas neste sentido. As pessoas lembram-se da gente quando pensam em canções para engajar. Tem muita gente que nos procura, por exemplo, quando quer um jingle chiclete. Não estou nem falando sobre o que eu sou, mas sobre o que as pessoas acham que a gente é. O mercado nos enxerga assim.

Quais são os últimos trabalhos pelos quais você se apaixonou nos últimos meses?

A música da Vigor, por exemplo. As pessoas lembram e a propaganda já tem três anos. Tem a do Michel Teló, para a Maquinha do Uol, que também é muito legal. E a da Brahma, que também já conversamos, e é bem interessante.

 

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